08022012Notícias:

Sustentabilidade depende do desenvolvimento sistêmico

sustentabilidade depende desenvolvimento sistemico

Capital social e integração entre pessoas para o sucesso de gestão foram abordados pelo palestrante Augusto de Franco, um dos conferencistas do Líder Mulher – Programa Internacional para a Formação de Lideranças

A sustentabilidade depende de fatores humanos e sociais, ou seja, de desenvolvimento sob o ponto de vista sistêmico e não apenas sob o ponto de vista do crescimento econômico. O crescimento econômico é sempre uma mudança quantitativa, enquanto que o desenvolvimento, uma mudança qualitativa. A sustentabilidade permite que se mude a forma de se relacionar com o meio. As frases de efeito são de Augusto de Franco, consultor, escritor, professor e netweaver (um dos articuladores) da Escola de Redes, que esteve nesta semana em Curitiba a convite do Sebrae/PR.

Augusto de Franco foi um dos conferencistas do Líder Mulher – Programa Internacional para a Formação de Lideranças, uma solução do Sebrae/PR que tem como objetivo desenvolver e ampliar a influência transformadora das líderes empresariais no cenário socioeconômico paranaense. Augusto de Franco falou da valorização das pessoas, de redes sociais e das tendências de gestão de sucesso. Para o especialista, o desenvolvimento social e a preocupação que existe hoje com a sustentabilidade não são apenas conceitos ligados ao meio ambiente, mas também têm a ver com as empresas que conseguem fazer e refazer continuamente congruências múltiplas e recíprocas com o meio.

Augusto de Franco falou sobre os capitais financeiro (renda e produto); físico (riqueza, propriedade produtiva); natural (meio ambiente), humano (conhecimento, saúde) e social (empoderamento – ação coletiva desenvolvida pelos indivíduos). “Essa consciência ultrapassa a tomada de iniciativa individual de conhecimento e superação de uma situação particular”, explica. Para ele, o capital social é o mais importante, pois trata das pessoas e das redes sociais. “É o que o pensamento liberal, do ponto de vista econômico, não conseguiu entender”, pontuou.

Às lideranças femininas presentes no primeiro encontro regional do Líder Mulher, Augusto de Franco abriu novas possibilidades de enxergar a administração e exemplificou casos sobre gestão centralizada, descentralizada e distribuída. “A gestão centralizada é uma bomba-relógio: se acontece algo com o detentor do poder, o sistema vai ruir. A descentralizada tem vários centros e aumenta a burocracia, o que é bem ruim. A gestão distribuída é a melhor opção”, opinou.

Como exemplo, Augusto de Franco citou o sistema imunológico. “O sistema de defesa do organismo não precisa pedir autorização ao Sistema Nervoso Central para atuar. Ele detecta o problema e age, tem autonomia. É assim com a gestão distribuída, funciona muito bem. Se houvesse a burocracia para pedir autorização, as doenças se instalariam e eles não conseguiriam realizar o seu trabalho”, exemplificou.

Conforme o palestrante, numa organização centralizada, burocrática ou hierárquica não há inovação e nada de criativo. Na sua opinião, as pessoas precisam conversar para criar e inovar. Com isso, o empoderamento aumenta, assim como a conectividade. “As pessoas passam a inovar e a empreender muito mais. É tão fantástico que apenas 1% das pessoas conectadas é capaz de promover o capital social, ou seja, promover o desenvolvimento. O desenvolvimento é a inovação e ele só se dá a partir da integração”, destacou.

Augusto de Franco citou um case de sucesso de uma empresa que muito inovava e as concorrentes não entendiam como. Numa pesquisa de mercado a resposta foi simples: o grupo almoçava junto, interagia e formava laços. “As tão faladas redes sociais são as pessoas, a integração que elas constroem entre si, as conexões, a sinergia e os padrões de organizações. O Orkut, o Twitter, o Facebook e o MSN são apenas as ferramentas para que essa integração aconteça. O futuro são as redes, e isso é inexorável e irreversível. O capital social sai do coletivo para o indivíduo. Isso é rede, é desenvolvimento.”

A inovação, segundo o estudioso, é fruto da interação. As pessoas são importantes, mas hoje as coisas não são organizadas para as pessoas. Com integração, elas mudarão de função de acordo com a necessidade coletiva, da mesma forma que acontece com um formigueiro, em que as formigas trocam de função conforme a situação.

“Só o ser humano é capaz de desumanizar a relação. Quando um empresário, ou uma empresária, coloca alguém para trabalhar de maneira subordinada, está tornando esse colaborador menos humano e se tornando menos humano também. É preciso guardar o conhecimento no amigo ao lado. Quem não faz amigos vive separado. Quanto menos amigos, menos futuro. Quando se cria uma nova conexão, se cria um caminho no tempo dos fluxos que não existia antes”, concluiu o professor.

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